Na manhã desta terça-feira (03), a secretaria municipal de Saúde de Niterói realizou um treinamento entre as equipes da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), em conjunto com profissionais da Base Descentralizada do Serviço Móvel de Urgência (SAMU), sobre o manejo das situações de crise em saúde mental. O objetivo da ação foi fortalecer o cuidado nas ações integradas.
Segundo a secretária municipal de Saúde de Niterói, Ilza Fellows, a articulação entre os diferentes pontos da rede de atenção é essencial para qualificar o atendimento prestado à população, especialmente nos casos de crise em saúde mental.
“A integração entre o SAMU e a Rede de Atenção Psicossocial é fundamental para garantir um atendimento mais humanizado, resolutivo e seguro nas situações de crise em saúde mental. Esse tipo de treinamento fortalece o trabalho em rede, qualifica os profissionais e assegura que o cuidado chegue de forma adequada às pessoas no momento em que elas mais precisam”, destacou a secretária municipal de Saúde, Ilza Fellows.
Ao longo da ação, a equipe da RAPS apresentou o trabalho realizado na rede, trocaram experiências sobre o cotidiano do atendimento à população, com o objetivo de qualificar ainda mais esse serviço essencial.
A diretora-geral da FeSaúde, Maria Célia Vasconcellos, destacou a importância da aproximação entre os serviços para o fortalecimento da rede.
“A aproximação entre o SAMU e a Rede de Atenção Psicossocial é fundamental para qualificar o cuidado em situações de crise. Niterói é pioneira na implantação do SAMU e hoje conta com uma integração cada vez mais efetiva entre os serviços, facilitando a compreensão dos processos de adoecimento da população. Esse diálogo amplia o olhar sobre a saúde mental e garante um atendimento articulado e mais sensível às necessidades de quem mais precisa", comentou Maria Célia, diretora-geral da FeSaúde.
Para a gerente de Atenção Psicossocial, Camila Donnola, a iniciativa contribuiu para fortalecer o cuidado no território e promover a troca de experiências entre as equipes.
“Esse encontro foi uma ótima maneira de fortalecer o cuidado no território e também conhecer os usuários. Cuidamos uns dos outros e, assim, ampliamos o cuidado com quem atendemos. Foi sem dúvidas uma manhã de aprendizado das duas partes”, afirma a gerente de Atenção Psicossocial, Camila Donnola.
A coordenadora da Base Descentralizada do SAMU em Niterói, Dora Coutinho, contou que encontro possibilitou o aprimoramento do conhecimento dos profissionais e a troca de experiências para qualificar ainda mais o atendimento.
“Foi uma excelente oportunidade para os nossos profissionais poderem não apenas aprender mais sobre como funciona a saúde mental no município, mas também foram debatidas as experiências deles para otimizar o trabalho”, explicou Dora Coutinho, coordenadora da Base Descentralizada do SAMU em Niterói.
Também participaram da ação a psicóloga Jéssica Couto, a enfermeira Késia Almeida e a assistente social Melissande Alves, coordenadoras regionais da RAPS, além da psiquiatra e responsável técnica dos CAPS, Patrícia Hermida. O treinamento contou ainda com a presença de condutores socorristas, médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem, entre outros profissionais que atuam na Base Descentralizada do SAMU.
Rede de Saúde Mental
A Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), em Niterói, é composta por diversos equipamentos, desde a Atenção Primária à Saúde (APS) até a rede hospitalar, que interagem entre si para ofertar um projeto terapêutico singular, pensado e construído em conjunto com usuários e familiares.
Cada equipamento tem uma composição multiprofissional variável, adequada às necessidades atuais de seus usuários, promovendo a assistência integral à saúde da população. Através dos Ambulatórios Ampliados de Saúde Mental (AASM) nas policlínicas, nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e nos módulos do Programa Médico de Família, as equipes desenvolvem ações de promoção da saúde e prevenção de agravos, incluindo o cuidado à saúde mental.
Atendimento especializado – Quando necessário, é feito o atendimento especializado e acompanhamento contínuo por meio de serviços como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), o Centro de Convivência e Cultura Dona Ivone Lara e outros dispositivos, garantindo uma atenção humanizada e territorializada.
O Serviço Residencial Terapêutico (SRT) é um equipamento fundamental para o processo de desinstitucionalização de usuários que viveram dois anos ou mais ininterruptos em instituição asilar, como hospitais psiquiátricos. Parte do processo de reinserção social, a SRT tem como principais itens de reabilitação psicossocial a construção da autonomia, a garantia do direito de morar e o exercício da cidadania.
A Unidade de Acolhimento Infanto-Juvenil (UAI) e a Unidade de Acolhimento Adulto (UAA) fazem parte da rede de cuidado em saúde mental e têm como objetivo oferecer acolhimento temporário e suporte integral às pessoas em situação de vulnerabilidade. A UAI é destinada para crianças e adolescentes, entre 10 e 18 anos incompletos, enquanto a UAA atende pessoas a partir de 18 anos em sofrimento psíquico, que fazem uso prejudicial de álcool e outras drogas. O atendimento ocorre mediante encaminhamento dos CAPS e funciona de forma complementar ao projeto terapêutico dos usuários, com foco no cuidado humanizado, na proteção e na reconstrução de vínculos.
O Hospital Psiquiátrico de Jurujuba (HPJ) é parte da rede de saúde mental, sendo referência para o acolhimento de emergência e sua atuação se dá em articulação com os demais serviços desta rede (CAPS, ambulatórios, Centro de Convivência e Cultura), e também em articulação com a rede de saúde da cidade. Dentro do HPJ há o Centro de Arte e Cultura, que vem se consolidando como um espaço potente de cuidado, inclusão e reconstrução de vínculos, tendo a arte e a culinária como ferramentas centrais desse processo.
